Urbanismo ecológico: O papel das forças físicas na construção da cidade more
“Nothing is experienced by itself, but always in relation to its surroundings…”(Kevin Lynch)
A frase de Kevin Lynch aqui expressa equivale a dizermos que as propriedades da forma não são propriedades intrínsecas. Dito de outro modo, estas só podem ser entendidas no contexto dum todo maior. Esta forma de pensar o espaço está pois de acordo com as teorias sistémicas e ecológicas. O pensamento sistémico é pois um pensamento contextual, ambiental e ecológico, pois explicar as coisas em termos do seu contexto é explicar as coisas em termos do seu ambiente(Capra,1997:37). Tal como o campo de gravidade, o contexto é o campo de atracção que origina uma estrutura de operação (um padrão) que por sua vez influencia o conteúdo, a forma, ou seja, aquilo que aparentemente observamos, cremos e concebemos. O contexto é pois composto por campos de energia invisíveis, tão reais como a gravidade, que operam na fabricação da forma urbana, tais como o sol, o vento ou a topografia. Isto para me referir apenas às forças físicas, porque existem também as forças sociais, psicológicas, etc., que são ainda mais difíceis de visualizar. Sem entendermos essas forças, torna-se muito difícil interpretar correctamente as formas, ou de as conceber de modo adequado a esse contexto. Assim o problema da forma inadequada é muitas vezes um problema de percepção do contexto e das forças que entram em acção, pelo que o mais importante no ensino dos nossos projectistas, é o entendimento do contexto no qual as formas emergem e não a forma em si própria. Portanto, creio que grande parte dos nossos problemas urbanos e espaciais, se devem essencialmente a um problema de percepção do contexto. Isso acontece, exactamente porque as pessoas não estão despertas para os campos invisíveis em acção na cidade e nas nossas próprias vidas. A causa desta dificuldade deve-se essencialmente à nossa visão fragmentária da realidade com a qual descrevemos o mundo. Se pelo contrário, nós pensássemos a realidade duma forma holística, veríamos como a separação das coisas é uma ilusão e que na verdade todas as coisas são parte do mesmo contínuo inseparável - é a ideia do universo holográfico, conforme o designou David Bohm (1980:143-147). O contexto é um molde para a forma: Enquanto a forma é aquela parte do mundo sobre a qual nós temos controlo, o contexto é aquela parte do mundo que impõe restrições a essa forma. Tudo o que impõe restrições à forma é contexto. A boa forma é pois o resultado da mútua aceitação entre estes dois mundos, ou seja, o resultado de como a forma se insere no resto do conjunto, Alexander, (1964:17). O contexto físico, no qual se enquadram as formas urbanas e arquitectónicas, como o clima, a topografia, os materiais, etc., estabelecem as irregularidades dum contexto não homogéneo, sendo que a forma que responde a esse contexto é um diagrama de forças (padrão) que tenta compensar essas irregularidades. Nas cidades orgânicas e de um modo geral em todos os organismos vivos, a forma é a solução para o problema definido pelo contexto, pelo que, quando falamos deste tipo de urbanismo, a discussão não é sobre a forma em si própria, mas sim sobre o conjunto que compreende a forma e o seu contexto. Assim, para o entendimento das formas da natureza, a ideia cartesiana de que a forma é independente do seu contexto, ou seja, a de que a realidade pode ser dividida e compreendida por partes deverá ser substituída pela ideia holista de que a forma é moldada pelo contexto, ou seja, pela ideia de que tudo está ligado a tudo, por um conjunto de forças e de relações que são responsáveis pela forma que aparentemente se observa. |
9 views |